26abr

Você sabe com quem está falando?

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Apesar dessa pergunta ser usada com freqüência quando a pessoa que está sendo indagada não faz a menor idéia de com quem está falando, é muito boa pra lembrar o jornalista de um fator essencial para se ter um bom texto: conhecer seu público.
Tudo na vida da pessoa influi na linguagem que ela usa. Apesar do público ser classificado por renda e sexo, um bom jornalista sabe exatamente que tipo de pessoa quer atingir – e que linguagem precisa usar para conquistar seu leitor.
Quando eu preciso escrever um texto para um público específico, procuro criar um personagem que personalize as características desse público, e escrevo o texto pensando se meu personagem, com seus problemas do dia a dia e sua formação teria interesse e conseguiria entender o que o texto diz.
Por exemplo, quando tinha uma pauta pro Tudo de Blog da Capricho, minha personagem era minha sobrinha de 12 anos, e pensava se era o tipo de texto que ela gostaria de ler. Se fosse, eu escrevia como se estivesse falando com ela, pensando em suas limitações e em formas de deixar o texto mais interessante pra uma menininha que tem mais interesse em notinhas sobre celebridades do que em textos maiores sobre problemas da vida real.
Alguns veículos – como a internet – não tem públicos tão delineados como revistas segmentadas pra meninas adolescentes da classe A e B, e criar esse personagem pode ser uma missão quase impossível pros mais perfeccionistas. Minha solução nesses casos é não perder o foco da informação, e tentar escrever o texto numa linguagem simples, mas não deixar o texto superficial.
Se no ponto final tanto o pedreiro que lê o texto num ponto de ônibus, a dona de casa que lê na fila de espera do médico e o empresário que lê no escritório para se atualizar conseguirem entender o que está escrito, minha função foi muito bem desempenhada.
Dica: Pode parecer ridículo, mas para quem tem dificuldade em criar os personagens, procurar fotos de pessoas aleatórias na internet ajuda. Olhe bem para a foto e tente escrever o texto para aquela pessoa – tendo em mente que ela tem uma vida, problemas a solucionar e pequenas alegrias no dia a dia.

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13abr

Por que se preparar nem sempre garante uma boa entrevista?

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O texto abaixo foi escrito pro Blog dos Editores do Livrevista. Como gostei do resultado, resolvi compartilhar com vocês também.

Há pouco menos de um ano eu tive o prazer de entrevistar o Fabrício Carpinejar. Foi antes de um bate papo  no Sesc  de Bauru, que estava  promovendo uma espécie de oficina sobre o autor.

O Carpinejar é um daqueles caras que todo jornalista sonha em entrevistar. Inteligente, poeta prodígio, fala sobre coisas da vida e passa da cultura banal à cultura erudita com naturalidade. Antes de continuar a história, devo acrescentar que a entrevista foi produzida para a disciplina de Telejornalismo, e que eu sou uma daquelas jornalistas que têm total aversão ao jornalismo televisivo.

Estudei muito sobre a vida do entrevistado, li várias entrevistas que ele concedeu,  li poemas escritos por ele- fiz o dever de casa. Me sentia preparada até o exato momento em que olhei pra ele pela primeira vez no Sesc. Jamais esquecerei os óculos com lentes laranja, camiseta laranja por cima de uma camisa branca, uma careca que de tão brilhante parecia ter sido lustrada.

Eu tinha na minha mente que ele era o cara mais certinho do mundo, e me surge um cara superdescolado na entrevista. Isso já me desmontou de certa forma, pois eu tinha me preparado pra algo muito mais formal.

Das quase 50 perguntas que formulei pra entrevista, foram escolhidas umas 5 ou 6 pra serem feitas e irem pra edição. Sentei perto ao Carpinejar para fazer as perguntas e SURPRESA! Ele quis mudar todo o padrão formal daquela coisa chata de trabalhinho de faculdade. Queria fazer a entrevista deitado no puff do sesc. Reverteu de todas as formas minhas tentativas quase inuteis de fazer a entrevista voltar aos padrões normais, respondeu coisas totalmente diferentes das que eu esperava ouvir nas respostas, fez o que queria e até o que eu não queria – me fez deitar no puff e ficou em cima de mim pras câmeras,  imitando uma posição sexual.

Apesar do pânico jornalístico da hora e do meu choque óbvio, ele não me forçou a nada e fez tudo isso brincando. Hoje eu vejo isso e penso na oportunidade que eu perdi de fazer uma maravilhosa entrevista com uma pessoa tão cheia de personalidade, tão cheia de vida. Não foi por falta de preparação, fiz tudo que os manuais de jornalismo ensinam os focas a fazer. Mas me faltou o essencial – conhecer meu entrevistado e saber que o que nós lemos nas entrevistas nem sempre é o que parece.

Foto: Renato Stoduto

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11abr

Jornalismo aspirador de pó

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Bom, hoje eu vim comentar sobre o jornalismo aspirador de pó. Essa é uma metáfora que eu criei pra nomear o jornalismo que é feito todo com o auxílio da tecnologia, e sem nenhuma apuração “ao vivo”.
A idéia da metáfora em si veio da minha mãe, que nunca me deixou passar aspirador de pó para limpar a casa.Todo mundo que já limpou um ambiente qualquer na vida sabe que aspirador de pó é ótimo, mas não é capaz de limpar efetivamente. Você consegue enganar a sujeira, mas nada supera uma boa varrida e passar um pano úmido no ambiente na limpeza.
Durante esse meu breve começo de carreira, tive a oportunidade de conviver com jornalistas (tanto na faculdade, quanto na “vida real”) que fazem toda e qualquer matéria com a bunda colada na cadeira. Usa de telefone, mídias sociais, releases, às vezes um livro e pronto, o espaço do jornal está preenchido e você se livra do editor chato no seu pé.
Assim é o jornalismo aspirador de pó. A pessoa engana, cumpre a matéria e não deixa ninguém na mão, mas talvez ela não esteja fazendo jornalismo de verdade. Pra mim, nada supera uma entrevista cara a cara, ou ir ao local de que se trata a matéria pra conhecer a realidade das pessoas que interagem com o ambiente. Esse tipo de imersão é o que, inclusive, forma um bom jornalista, por que treina o olhar pra ver problemas e mazelas que afetam a população.
Claro que pra pequenas notas, ou matérias mais simples e pequenas (numa época em que jornalismo pode ser feito com menos de mil caracteres) o telefone e um contato rápido com a fonte resolvem. Mas eu ainda não sou capaz de fazer uma matéria inteira, muito menos uma reportagem sem bater papo pelo menos com uma fonte ao vivo – é esse contato que me faz sentir repórter.
Perco um tempo relativo, muitas vezes tenho gastos absurdos pra entrevistar pessoas que moram na conchinchina, mas ganho em experiência de vida. E, quem sabe, a vida não me dá de presente uma pauta no caminho.

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24mar

Um tal de poder do jornalista – Parte 2

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Sei que eu estou um pouco atrasada – afinal, o que é atrasar um mês para publicar a segunda parte de um post? – mas finalmente decidi terminar o post do “Um tal de poder do jornalista – Parte 1”.
Aproveitando que eu já enrolei demais para contar essa história, vou direto ao ponto. Eu percebi que o jornalista tem um certo poder de modificar a vida das pessoas estava fazendo a matéria sobre casamentos no Primeira Página.
A matéria era pra ter saído muito tempo antes, mas faltavam algumas informações do cartório pra usar como estatística. Eu liguei lá todos os dias durante mais de um mês e o funcionário sempre me dizia que tinha esquecido e que ia providenciar as informações, que eu retornasse a ligação no dia seguinte.
Um dia, o Marcos Escrivani, Editor chefe do jornal, me perguntou da matéria, e eu contei pra ele a situação. Sem pensar duas vezes, ele ligou no cartório, falou com o funcionário e disse: “A matéria vai pro jornal amanhã, preciso destes dados. Se você não me passar, vou publicar que o cartório não quis me passar os dados”. Uma hora depois eu tinha todos os dados e pude terminar a matéria.
Vou ser sincera e dizer que não teria coragem de fazer isso antes de ver o Escrivani fazendo. Fiquei com medinho quando vi ele fazendo, inclusive. Mas foi o que ele me disse depois: não é muito correto, é claro, mas você não está exigindo nada demais. São dados que ele tem a obrigação de te passar.
Essa demonstração do poder que um jornalista tem para cobrar as coisas me impressionou muito e acreditem, mudou muito minha forma de fazer jornalismo. Ela me fez viver aquilo que quase todo livro de jornalismo ensina: que a fonte também tem interesse em algum ponto da matéria. E que isso pode sim ser usado a favor do jornalismo, em certos casos. Só não vale se perder no autoritarismo e esquecer da ética.

DETALHE: A matéria foi publicada quase 1 mês depois, numa edição de domingo.

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12mar

Evento discute formação para professores

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Professores e dirigentes de educação se reúnem na UFSCar para acertar programa que dará educação superior a professores da rede pública de ensino

Por Karen Barbarini

Acontece hoje, na UFSCar, o Fórum paulista do Programa Nacional de Formação de Professores. O programa, que foi criado em maio de 2009, tem o objetivo de levar às Universidades Públicas e comunitárias professores da rede federal de ensino que não tenham formação acadêmica ou que atuem em áreas diferentes de sua formação, e com isso, melhorar a qualidade do ensino brasileiro.

O programa já foi implantado em alguns estados, e em São Paulo começa a ser implantado neste semestre com a formação continuada para professores já formados, que são na verdade cursos de atualização e capacitação; e no segundo semestre atingirá sua totalidade, com a implantação dos cursos de formação profissional para os professores sem diploma universitário.

Adinan Ortolan, vice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de educação, entidade responsável pela organização do Programa Nacional de Formação de Professores explica que o estado de São Paulo não conseguiu implantar o programa antes devido a negociação mais trabalhosa do Governo do Estado com o Governo Federal. Ele também explica que a função do fórum que acontece hoje em São Carlos é continuar a negociação com as universidades para que o Programa possa atingir seu objetivo de abrir 50 mil vagas nas universidades públicas e comunitárias para os professores da rede pública. Atualmente, estão disponíveis cerca de 20 mil vagas, que é quase o dobro do número de vagas da UFSCar.

Outro obstáculo do Programa em São Paulo foram os desnivelamentos das regiões. Enquanto regiões como a de São Carlos, Ribeirão Preto e da própria capital possuem muitas faculdades para abrir vagas para os programas, regiões mais pobres, como o Vale do Ribeira, possuem menos, e são exatamente essas regiões que mais precisam do Programa de Formação de Professores. Para driblar esse problema, serão criadas extensões das faculdades participantes nas áreas carentes, como uma forma de nivelar a participação de professores dessas áreas no programa.

Os professores interessados nos cursos de formação continuada do Programa devem fazer até 30 de Janeiro a pré-inscrição no site do MEC. Atualmente, essa pré-inscrição tem que ser validada pela Secretaria Municipal de Educação ou pela Secretaria Estadual de Educação. Lembrando que todos os cursos são gratuitos. As inscrições para o segundo semestre começam em abril, quando os cursos de graduação já estarão disponíveis.

Matéria publicada no jornal Primeira Página, de São Carlos, no dia 20 de janeiro de 2010.

Resolvi publicar por que, apesar da notícia do encontro ser velha, a iniciativa é importante.

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11mar

Nos primórdios da Doação de Órgãos

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Por Karen Barbarini

Trabalho parecido com o do Dr. Ivan Carlo Linjardi foi realizado pelo cardiologista Dr. Euvaldo Gouvêa. No ano de 1987, impulsionado pelo transplante de coração recebido por um de seus pacientes, criou em São Carlos um cadastro que recrutava potenciais doadores de órgãos.  A idéia era que, em vida, as pessoas pudessem demonstrar seu desejo de ser doador caso ocorresse algum acidente e ela se tornasse apta para doar. 

Mas, naquela época, os transplantes estavam apenas começando e não existia a infraestrutura que existe hoje. Ele conta que na época em que ele tinha esse cadastro, cada vez que ocorria uma morte cerebral e a família autorizava a doação, ele tinha que telefonar para todos os hospitais que tinham equipes de doação, explicar os dados dos pacientes e oferecer os órgãos um a um.

Como o serviço era muito cansativo e dispendioso, e também por desentendimentos com os envolvidos nas doações, por volta dos anos 2000 o Dr. Euvaldo parou de cadastrar pessoas e se envolver com Doação de Órgãos. Porém, conseguiu um feito inédito na cidade: Cadastrou 1270 pessoas no seu banco de doadores e salvou muitas vidas.

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11mar

Doação de Órgãos em São Carlos

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Comissão trabalha para captar órgãos na cidade, que não possui um hospital que realize transplantes

Por Karen Barbarini

Apesar das diversas campanhas para que nos tornemos doadores de órgãos promovidas pelos diversas entidades responsáveis por cuidar da saúde pública, ainda existe muitos mitos e preconceitos com essa atividade.
Em São Carlos, a Santa Casa de Misericórdia não realiza transplantes, pois a infra-estrutura exigida para esse tipo de procedimento é diferente da de um hospital comum. Porém, a pouco mais de um ano, foi criada a Comissão de Captação de Órgãos e Tecidos, coordenada pelo Dr. Ivan Carlo Linjardi.
O trabalho da Comissão consiste em detectar pacientes que possam ter morte cerebral, contatar a central de transplantes em Ribeirão Preto e principalmente, interceder junto à família desse paciente, caso a morte cerebral seja confirmada, para explicá-la os benefícios da doação dos órgãos.
Esse trabalho é necessário por que é preciso duas assinaturas de autorização da família do falecido para que a captação de órgãos possa ocorrer. Nem mesmo se o falecido for indigente e não tiver quem responda por ele os médicos são autorizados a captar os órgãos.
O processo de captação de órgãos realizado no Estado de São Paulo é muito criterioso, e segundo o Dr. Ivan Carlo Linjardi, é impossível de ser burlado. Caso a morte encefálica de um paciente seja diagnosticada e a família concorde em fazer a doação, os dados deste paciente com todos os seus exames são encaminhados para a central de Ribeirão Preto, que não é organizada por médicos para evitar fraudes. A central confere os dados dos pacientes na lista de espera e caso haja uma compatibilidade, uma equipe especializada vai até o hospital em que se encontra o paciente falecido, capta os órgãos e leva até os pacientes que vão recebê-lo. Esse procedimento tem que ser realizado o mais rápido possível, pois os órgãos levam pouco tempo para se deteriorar e ficarem inaptos a doação.
Apesar do sistema ser bem organizado e a doação de órgãos ser uma forma de salvar vidas, não é fácil convencer as famílias a realizar a doação. “É muito difícil para a família num momento de perda ter que pensar no próximo”, explica o Dr. Linjardi. Na própria Santa Casa, a Comissão de Captação de Órgãos ainda não conseguiu realizar nenhuma doação, pois nos casos em que a saúde do paciente possibilita a doação, as famílias não concordaram em doar. “Mas é assim mesmo, a estatística é essa mesma”, diz o Dr. Linjardi, explicando que é difícil captar órgãos. Por isso, é necessário que as pessoas que desejam se tornar doadoras avisem seus familiares em vida.
Sobre o fato da Santa Casa não realizar transplantes, o Dr. Linjardi explica que a comunidade teria muito a se beneficiar caso isso ocorra. Segundo ele, os hospitais próximos a São Carlos que realizam transplantes fazem um número bom de transplantes por ano, e que a nossa região sendo tão populosa, faria a diferença para quem precisa de um transplante poder fazer todo o processo numa só cidade. Porém, segundo ele, a instauração de uma ala de transplantes pode demorar anos, e depende de vários fatores políticos e da reunião de uma boa equipe médica que tome a liderança para fazer os transplantes.

Matéria publicada no jornal Primeira Página de São Carlos, no dia 21 de fevereiro de 2010.

Clique aqui para ler mais sobre doações de órgãos em São Carlos.

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11mar

Até que a morte nos separe?

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Cresce procura por validação do casamento no religioso e no civil, mas número de divórcios cresce 46% ao ano

Por Karen Barbarini

 

Nestes tempos em que ir morar com uma pessoa é considerado casamento e que o matrimônio, seja no civil, na Igreja, ou somente por acordo entre as partes envolvidas não tem mais a obrigação de durar para sempre, o número de pessoas que procuram oficializar sua união ou desunião cresce ano a ano.

Em São Carlos, até mesmo os casamentos religiosos estão sendo intensamente procurados, explica o Pe. Cristian Henrique Copilato. Ele nos conta que em 2009 a procura foi tanta que somente na Catedral eram realizados até mesmo 3 casamentos aos sábados. Para se ter uma idéia, já não existem mais datas para marcar casamentos na Catedral, em 2010. Os noivos mais apressados estão sendo encaminhados para outras paróquias, explica ele.

Os apaixonados também têm procurado mais o serviço que oficializa a união perante o Estado. Somente no 1o Cartório de Registro Civil, localizado na Rua 13 de Maio, o número de registros de casamentos foi de 684 em 2008 para 776 em 2009, um aumento de mais de 13%. E não para por aí: No 2o Cartório de Registro Civil, que se situa na Vila Prado, mais 559 casais oficializaram sua união em 2009.

Apesar do crescimento nas uniões, um fator nada agradável vem para fazer um contraponto aos mais conservadores que não gostam muito da fugacidade dos relacionamentos atuais. Segundo a advogada Andréa Valdevite, o número de divórcios no Brasil subiu cerca de 46% em 2009. Ela diz que no escritório dela, o número subiu além das estatísticas, que foram fornecidas pelo IBGE.

Andréa ainda explicita que existem diferenças entre a separação e o divórcio. Na separação o casal não precisa mais manter os deveres do casamento, mas os dois somente podem se casar de novo se houver o divórcio, que pode ser solicitado após um ano de separação.

Somando-se os registros dos dois cartórios procurados pelo Jornal Primeira Página, foram registrados 802 divórcios em 2009 na cidade de São Carlos, número um pouco maior que a metade da totalidade dos casamentos realizado neste período.

Segundo Andréa Valdevite, a maioria de seus clientes declara a falta de amor e cumplicidade como motivo para o fim do casamento. Em segundo lugar aparecem a infidelidade e a violência doméstica. 

A relatada falta de amor, segundo o Pe. Cristian, é resultado de um casal que não esperou o momento oportuno para se casar, que pulou etapas e não teve tempo para conhecer o cônjuge. Então, quando as dificuldades aparecem, o casal não tem o entrosamento necessário para resolvê-las e o casamento simplesmente desmorona, explica o religioso.

 

Matéria publicada no Jornal Primeira Página da cidade de São Carlos, no dia 21 de fevereiro de 2010.

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